Arquivos mensais: julho 2017

Taxo.

“La pa trais”, lapa me trás e lá para trás me levou.

Acho que o trajeto que fiz e faço me levou e me leva.

Até nevou no semiárido. Neva agora até no serrado.

Acima do equador e abaixo.

Nesse xaxado a baixo para baixo e tem baixo para alto.

Abaixado para pegar o tacho de cobre, que com zinabrado se cobre.

Ali Um moleque endiabrado, para ele sobra às sobras do pé de moleque,

Eita moleque que de coitado não tem nada, sobrou para ele á pá de madeira e com ela ele faz o seu riscado.

No doce de leite na goiabada e até no sabão de soda que com cinzas é confeccionado.

As cinzas do carvão que risca e suja é a mesma que faz o risco preto e o cinza ficar branco tal qual a neve que caiu no semiárido.

O moleque vai”ariando “agora aquele tacho fundo, dourado, sua avó o olha lá do fundo,

Abaixou pegou novamente o limão para esfregar com movimentos ritmados.

Aprendeu com aquela que o via e o seguia com o olhar desconfiado.

-Esse moleque, precisa ficar de olho nele, queria tirar uma vez o zinabre com vinagre.

Eita moleque todo dia endiabrado e a noite até deitado, faz o seu riscado.

A dias estava o tacho parado lá em cima pendurado olhando o moleque cá embaixo,

O moleque às Vezes sentia e achava que o tacho o olhava e o tachava de varias coisas.

Dai então ele se virava e se gabava da beleza que tinha ficado aquele que por ele tinha sido ariado, não adiantando nada aos seus olhos ali continuava.

E se fazia de arrogado e a modéstia as favas, gritava:

Tem que ser muito macho para deixar o tacho assim tão bem” ariado”

Sua avó lá do fundo gritava: Falo baixo, deixa de ser medroso é só um taxo.

Eu não acho… Pensava o moleque cabisbaixo. Logo ele que ia tão alto com suas diabruras.

Era um cagão ali em baixo de um simples taxo.

 

Revelou-se a mim.

Atingir o momento o estado de revelação que se encontra em nós se faz pela junção de inúmeros elementos equações dos sentimentos.

Sentimentos são equações infindas que se somam em um único resultado vindo pelos questionamentos.

Elas se revelam de uma forma simples com uma sutileza incrível, elas estão o tempo todo ali a sua frente como uma flor sobre um obelisco… E gira à medida que giramos.

As brumas ocasionadas pelo nosso querer, o nosso pedir não nos deixa enxergar a sublimidade desse estagio.

Essa revelação simplória é frágil, por isso nosso sentido precisa se encontrar e estar na sua mesma faixa vibracional.

Como que se entrássemos nesse estado pós uma entrega de tudo, sem saber que ela poderia a vir se revelar, sem saber… Destituído de tudo de toda a FÉ.

Sem saber até que  estávamos a necessitar do acolhimento da energia do mais puro amor do que anima o nosso melhor. O estado de descrença e de falta de fé, de estar  perdido, sem ser escutado e sem amor não nos deixa enxergar e por tanto nos afasta do contato com o sublime.

Com certeza a dor e o afastamento da consciência. Ela veio a se revelar para me resgatar…

O encontro com inefável… A apresentação de um estado destituído do ego.

O Equilíbrio e tudo mais estão aquém dessa parede.

Ela esta em uma dimensão diferente da nossa, avistei por um portal simples, como uma fenda, uma janela.

O vermelho com alaranjado se faz presente como que a trama de um lençol de cetim abaixo de um tipo de flor que sintetiza tudo que é desprendimento e querência e dor.

A sublimação de tudo pela revelação de nada te atingir foi o que me falou ao coração.

Esse é o ponto. Nada pode nos atingir se ficarmos firme na lembrança dessa revelação

Que eu consiga continuar e que todos mais possam ter o mesmo encontro…

Que ela me fortaleça, daqui para frente…

Gratidão.

Que este amor não me cegue. (Hilda Hilst, in ‘Cantares do Sem-Nome e de Partidas’)

Que este Amor não me Cegue

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.Que este amor só me veja de partida.