A vontade que a casa tem de ser no projeto.

Qual a vontade da edificação tem em ser ela mesma, a da colher a da escola, eram indagações que foram e são feitas por poucos arquitetos na hora da criação os projetos que tem como premissa esse principio penso eu são os que se destacam entre tantos.

Esse conceito aprendi há muito tempo, escutei pela primeira vez, achei impressionante como que o processo criativo e de dar vida a uma edificação passasse primeiro pelo desejo que ela teria de ser ela mesma, ou o que se proponha em ser..

Darei agora um exemplo de caminhos e intenção usando a arquitetura para influenciar e interferir no ser humano de uma forma factual, o caso das igrejas projetadas no passado pelos maçons.

Tínhamos pequenas igrejas no Brasil na época do ouro, com o rococó mineiro que utilizavam um elemento, no caso o ouro, para traduzir o poder e a riqueza da casa de “deus”, os religiosos e adoradores iam as suas igrejas com essa convicção de que estava na casa do “deus” poderoso.

Com o tempo nos projetos as torres eram o que traduziam estar àquelas edificações mais próximas dos céus, e quanto mais altas “a torre” mais próxima da divindade, estaria mais próxima de tocar o céu.

Na Europa vemos esses aspectos de uma forma bem nítida com o movimento gótico no início nas artes eram somente para os “bárbaros”, e as catedrais góticas iniciadas na Alemanha, traduzindo conceitos desse movimento francês traria uma nova vontade na arquitetura, as igrejas agora além do seu interior e as torres as naves são altíssimas com seu “amontoado” de pedra, trás agora a monumentalidade da edificação com a intenção clara de dizer para o ser humano que a casa daquele “deus” é a maior e a grandiosa e a que traduz o seu poder, pegando um gancho em uns dos 72 nomes de “deus”, no antigo testamento, em que o compara o “El” a montanha.

A luz começa a ser introduzida, a simetria a geometria sagrada, impulsiona o lado filosófico da edificação.

A harmonia das formas, com a luz traz agora um novo conceito estético monumental e místico de uma forma nova pensada e intencional.

Toda a edificação faz se valer e utiliza-se para traduzir o desejo e a vontade dela mesma agora ela edificação leva o adorador daquele deus a se ajoelhar frente à edificação levando o a interiorização, as sensações agora são de introspectiva e conexão com o incomensurável, tudo isso ‘provocado” por ela “edificação”.

Consegue então traduzir a sua vontade ela cumpre o seu “papel”.

Na índia foi feito um templo para adoração com essas características é muito famoso, até hoje, lá o arquiteto constrói blocos sem as abóbodas e estilo das edificações do país, ali ele emprega esse conceito de que a edificação tem a sua vontade e em um país com características arquitetônicas quase que única ele leva elementos do ocidente e finca um projeto onde acentual a luz, a entrada dela na edificação através de cortes nos blocos, e brises faz com que aquela atmosfera criada entre o conforto ambiental e a luz leva o adorador a se sentir na “casa da divindade”, a arquitetura tem a sua vontade e o ser humano consegue captar a sua essência quando o arquiteto traduz isso para o “papel”, ela passa a existir em qualquer lugar do globo, independente de estilo ou país, ela agora É. Nasce naquele que é o tradutor e o que dá “vida”: seria ele também um “deus”? No Egito antigo somente quem poderia casar com a filha do Faraó, não sendo da família era o arquiteto… Vai saber.

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