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Taxo.

“La pa trais”, lapa me trás e lá para trás me levou.

Acho que o trajeto que fiz e faço me levou e me leva.

Até nevou no semiárido. Neva agora até no serrado.

Acima do equador e abaixo.

Nesse xaxado a baixo para baixo e tem baixo para alto.

Abaixado para pegar o tacho de cobre, que com zinabrado se cobre.

Ali Um moleque endiabrado, para ele sobra às sobras do pé de moleque,

Eita moleque que de coitado não tem nada, sobrou para ele á pá de madeira e com ela ele faz o seu riscado.

No doce de leite na goiabada e até no sabão de soda que com cinzas é confeccionado.

As cinzas do carvão que risca e suja é a mesma que faz o risco preto e o cinza ficar branco tal qual a neve que caiu no semiárido.

O moleque vai”ariando “agora aquele tacho fundo, dourado, sua avó o olha lá do fundo,

Abaixou pegou novamente o limão para esfregar com movimentos ritmados.

Aprendeu com aquela que o via e o seguia com o olhar desconfiado.

-Esse moleque, precisa ficar de olho nele, queria tirar uma vez o zinabre com vinagre.

Eita moleque todo dia endiabrado e a noite até deitado, faz o seu riscado.

A dias estava o tacho parado lá em cima pendurado olhando o moleque cá embaixo,

O moleque às Vezes sentia e achava que o tacho o olhava e o tachava de varias coisas.

Dai então ele se virava e se gabava da beleza que tinha ficado aquele que por ele tinha sido ariado, não adiantando nada aos seus olhos ali continuava.

E se fazia de arrogado e a modéstia as favas, gritava:

Tem que ser muito macho para deixar o tacho assim tão bem” ariado”

Sua avó lá do fundo gritava: Falo baixo, deixa de ser medroso é só um taxo.

Eu não acho… Pensava o moleque cabisbaixo. Logo ele que ia tão alto com suas diabruras.

Era um cagão ali em baixo de um simples taxo.

 

Que este amor não me cegue. (Hilda Hilst, in ‘Cantares do Sem-Nome e de Partidas’)

Que este Amor não me Cegue

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.Que este amor só me veja de partida.

Ampulheta em punho, faz tempo.

Ampulheta “punhéta” o tempo.

De ampulheta em ampulheta, de mão em mão.

De punheta em punheta, vejo o tempo passar.

Todo o tempo esta e vive dentro da ampulheta.

Ampulheta em punho, não me oponho.

Ponho de um lado, ponho de outro.

De repente não  consigo enxergar entrou um grão da areia em meus olhos.

Fecho olhos  para ver se as lágrimas o expele.

Fecho os olhos e não vejo o tempo passar.

Fico aguardando, dando tempo ao tempo.

Componho e sonho tudo começou como um grão de areia.

Que um dia se transformou em praia. Surfei nessa onda.

Outro dia virou um tsunami. Me revirou de perna para cima

Hoje esta deserto. É a minha sina.

– Matou meu tempo. E olha que faz tempo.

Faça uma rúbrica na folha. E logo abaixo assina.

Assinatura: Ampulheta assassina.

Coração rasgado.

Separados estamos nessa fase.

Essa frase queria longe de nós. E você mais perto.

Sinto tem horas que a distancia aproxima-nos mais e mais.

Mas em outras te sinto bem menos próxima.

Nessa estrada da vida. Tem dias que fico sem chão.

Dê-me uma pista do seu paradeiro, que eu corro para te buscar.

Ocorre com você também? Estou próximo do fim.

Ou seria somente o começo das dores?

Vou olhar em seus olhos e dizer, veja só:

Estamos “enrolados”. Vê se acorda.

Somos mesmos “nós cegos”. Só você que não vê.

Ou ata ou desata deixe de seguir scripts.

Siga os ditames de seu coração nesse romance.

Qual será o seu próximo lance? Deixe de jogar.

Vou dar a minha ultima cartada.

-Amor, escrevo essa singela carta para dizer que te amo.

Não sou poeta, mas você é minha musa.

Coloquei meu perfume no papel o seu não saiu da minha mente.

Minhas lágrimas sobre a tinta, o seu suor se confunde com minha saliva.

Seus abraços são inesquecíveis o seu sorriso único.

Sinto seus beijos seu gozo.

Pensando bem eu já te tenho.

Foi lá e rasgou a carta, afinal de contas não era poeta mesmo.

 

 

De hora em hora.

Ar que me falta, só o que me faltava.

Sua presença me faz falta.

Sua falta se faz presente.

Só quem sente é o que sente.

Sente e aguarde uma hora chega.

Já são mais de 5 anos e ela não chega.

Será que para ela já chega?

A oração a toda hora, que horas são?

A tempos que sinto muito.

Te cito sempre nas orações a toda hora.

Quando te cito ai que sinto mais.

Amor tem hora que é um atraso.

Amor não tem prazo.

Amor que comprazo.

Com prazo de validade é a vida.

O amor só demora.

O amor acabou de chegar a tempos.

O amor não acaba.

Demore em mim.

 

 

 

Ele sempre o seu presente.

Eu te amo tem quantidade?

Eu te amo esta acima das nuvens, acima dos prédios coloridos.

Eu te amo por mais um segundo por mais um dia por mais um ano.

Eu te amo precisa mais?

Eu te amo não significa muito tem o “eu” antes da declaração.

Te amo fica melhor, quando não tem o Eu mas tem você.

No te amo tem você e você me tem.

Quando você me ama tem quanto de amor?

Passa ano.. e anos e continuo aqui te amando…

Assim como os anos eu vou passando somente o amor fica.