Deuteronômio 8.

Silencio interior, você grita para ser escutado, mas percebe com o tempo, e sua percepção dele pode ser de ser 1 minuto, 5 a 10 anos, os planetas a terra, a transladação, não para, e você ali, com o olhar sobre tudo ao seu redor, respirando, respirando, come o que tem, se alimentando por necessidade, sem o gozo de viver, somente sua mente , ali com você.
Os pneus dos caminhões soltando as’ ressolagens”ao fundo, mais uma vez  escuto eles dando aquele estampido costumeiro quando passam sobre a ponte que fica acima do rio.

A mudança brusca  de temperatura, faz com que isso aconteça, a noite esse barulho, parece o estouro de um foguete pirotécnico, começa com um assovio longo…feito pelos pneus em contato com o asfalto quente, acabando por estourar logo em seguida.

A pedra de mármore travertino sobre a mesa, continua fria, gelada naquela temperatura ambiente de 40 graus, ar parado, o tapete de junco, sob sua base de madeira, talhada, com ares de Luiz XV, mais encardido em uma das pontas onde o trafego, e´maior, o andar de um lado ao outro, em busca de repostas, faz com que as barras costuradas, parecendo enquadramento gótico.

A frente, o enorme espelho com molduras douradas enormes, ele que foi transportado com dificuldades e colocado ali ao lado na sala, refletindo aquele lustre com braços holandeses e com cúpulas pequenas em estilo inglês, uma composição bonita, com pitura de ouro velho, com ferros simulando pingentes de veludo, o piso frio, a varando não permite que a luz solar entre pela porta que sempre, esta no seu degrau, abrigando os focinhos dos cachorros que treinados, não passam aquele limite, alguns ficam me fitando com um olhar, triste e compassivo, daqueles que estão ali na companhia daquele ser que como eles trocam o olhar, eles em seus pensamentos se perguntando o que se passa com esse ser humano e eu nos meus pensamentos, esperando que alguns deles possam entender o meu olhar.
Madeiras e vidros nas portas e janelas, degraus que separam as salas, a luz que entra a energia que é roubada pelas bases da paredes, sobre os vigas baldrames que não existiam, o piso da varanda, com seus desenhos gastos, de tanto se esfregar com acido, que subtraia o verniz e a proteção da cerâmica promovendo em todos eles, as falhas existentes naquela arquitetura, as bases dos pilares que foram reformadas e encapsuladas com P.v.c, os vasos com “buchinhos” em todas as bases, 11 no total. As rolinhas com seus ninhos nas traves da varanda, eram encontrados ovos, que caiam de seus ninhos, quando não alguns filhotes que sobreviviam ate´aquele momento onde encontrados pelos cães selavam suas existências.
Um brisa esta soprando agora, balançando aquele grande coqueiro, que abriga algumas maritacas que acabavam de comer frutos no pomar, um pé de pera que havia produzido duas peras, e as mangueiras com enxertos mostravam seus frutos que eram atacados pelos insetos.
A cor da água na piscina esta verde, as bordas brancas, não tem mais o seu colorido original, como nada ali naquele lugar, o brilho e as cores foram apagadas, dando lugar a fuligens que caem a noite escondendo as queimadas nas folhas da cana-de-açúcar, um dia presenciei altas labaredas ao lado disso tudo e temi pela destruição do patrimônio, da parte física do lugar.
Que lembranças, que tédio, a solidão e falta de respostas se faz a todo momento, o presente é prova disso, por que buscar a desgraça passada, já não te basta a que se faz presente? E de Grego.

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