Diz o culpado: O cupido é ocupado.

Quem sou eu para me equiparar ao Paulo Leminski, mas é um dos melhores poetas que conheço, contemporâneo nosso, seus poemas viraram musicas gravadas principalmente pelo beleleu o saudoso Itamar Assumpção da vanguarda paulista, com suas performances inesquecíveis desde os palcos de festivais, como passando pelo lira paulistana, amado e odiado como todo o artista tem que ser.
O poema do Leminski que se chama “Dor elegante”, na voz do Itamar e agora da Zélia Duncan, traz uma pegada nova.

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Passo a ver um homem mancando, talvez pelo uso errado do calçado, ou qualquer coisa que o valha.
Poesia na cabeça de alguns que conhece pouco pode pensar que todo o poeta precisa e necessita de uma musa inspiradora, assim como na pintura, e outras artes, que não esta de todo errada.
Fiquei pensando sobre o tema e fui ver onde encontrar uma musa inspiradora, que pudesse me levar a escrever e relatar poesias ou contos assim como na pintura Pierre-Auguste Renoir, tem as suas ninfas inspiradoras. A França tem o seu “RENUA”, em que lugar e em que “reino á”, uma princesa ou musa para me inspirar?
Vimos no conto da Cinderela esquecer o seu sapatinho pós-baile e dizem que era de Cristal, percebe que uma ninfa pode ser motivo de inspiração assim como um sapato?
Pensam alguns que o enredo necessariamente passa pelo amor, quase sempre vemos esses relatos, realmente acho que quem ama quer soltar e falar para todos os lados, os poetas quase sempre são flechados pelo cupido, que nada mais é que o amor, isso cupido era conhecido como o “amor” em Roma e na Grécia equivalia-se ao Eros. (erotismo), ele teve uma relação com “Psique”, a deusa da alma, além das flechadas vemos aqui que o Cupido era bom no papo cabeça, hehehe.
Mas as vezes “Psique” perdia a cabeça(hoje perdemos a psique na cabeça, hehe), era complicado, muito mesmo.
Se o cupido tivesse tido um caso com a Medeia, seria mais tranquilo.
Uma coisa que deixava a Psique igual a uma “sargentona”, “subindo nos tamancos” era quando o Cupido começava a falar sobre ele,(lembremos que ele era o próprio amor, parando no meio dos dizeres, não dando continuidade, no assunto, “Psique” “subia nos tamancos” e era de uma forma literal, chegava a ficar horas pedindo para que ele falasse, ela ficava super, hiper, mega, power impaciente, se transformando daquela Psique controlada tolhida para uma mulher brava, inquieta, soltava o cabelo, e prendia o cabelo, sem parar, quase outro “cacoete”…imagina Medeia com esse cupido então? A dor que daria em seus braços levando a mão sempre as suas cabeças.
Psique, andava de um lado para o outro, e como já estava se tornando comum essa situação, inevitavelmente nos seus pés foram criando bolhas, as que mais incomodavam eram as que se faziam formar no “peito do pé”, sabe-se la por qual o motivo, se para penalizar, Psique fazia questão de ficar mostrando toda hora para o cupido seus pés com as bolhas.
A inspiração para os sapatos veem dai e Os tamancos de madeira que eram utilizados por camponeses, principalmente nos Países Baixos e na França entre os séculos XVIII e XIX.
Fiz cursinho, quase inicio dos anos 80, ao findar os trabalhos os botecos lavavam , ou melhor os que lavavam o estabelecimento , usavam uns tamancos altos feitos de madeira, não sei se o costume vinha dos portugueses que aqui se instalaram, nas padarias.
Depois veem a moda do tamanquinho do Dr. Scholl, e recentemente no ano de 2010, ressurge com força total os “tamancos clogs”, A Chanel desfilou uma coleção inteira com eles nos péS.chanel

A Louis Vuitton apostou nos clogs em sua coleção Primavera/Verão de 2010.
Hoje em dia tem um movimento forte para ter como padroeira dos chefs de cozinha e todos aqueles que passam o dia todo em pé, sem colocar meias e sapatos condizentes, fazendo bolhas nos pés a “Psique”. O mostrar o peito do pé para o cupido que era o próprio Eros, as mulheres que mostram os seios hoje em nossa cultura remonta aquele momento da “Psique”com Ero.
Sou um cara que curto um pé bonito e sei de pessoas que tem tamanho fetiche por pés que se uma mulher fizer assim como a “Psique”, de mostrar somente o “peito”dos seus pés com bolhas podendo ser a distancia, inclusive pelo Skype.
O homem poderá esperar que o Cupido com sua armação, arco e flecha passar voando em sua janela fazendo bastante barulho com suas asas batendo, e flechando certeiramente o coração do internauta, poderíamos depois disso tudo aqui relatado, criar a hashtag…deixa eu pensar…já sei:
#chef sargentona.
Para todos aqueles que caminham assim de lado, com bolhas no peito do pé.
Se Leminski soubesse dessa historia poderia incorporar em seu poema a #, para finalizar.

Dor elegante (Paulo Leminski)

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

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