Origamis esses mosaicos da vida.

Pego um pequeno graveto vejo a consistência dele se esta apto para servir de instrumento para golpear a terra, procuro um lugar mais fofo, as partes onde estão com limo por cima mostrando-se em uma cota mais alta questão de centímetros mas mais alta é mais dura e por mais que o graveto possa ser firme é ruim para furar, passo a mão sobre as folhas que estão ali recobrindo o solo, como uma cama protetora e se deteriorando para alimentar aquela que lhe deu a vida, o ciclo da vida ali a minha frente, poderia pensar em colocar ali uma semente ou um talo de mandioca os talos não precisam de terra fofa e tão pouco muita profundidade basta estar deitado que renascera dando uma nova planta e suas raízes tomaram o seu espaço na terra, mas não eu estou ali com a cabeça em uma outra situação em um outro momento meu intuito é brincar como qualquer outra criança que esta só com a sua solidão.

Defiro o primeiro golpe e logo em seguida outro mantendo um ritmo continuo e o solo vai se rendendo ao meu desejo ali vai se abrindo um pequeno buraco a terra acumula-se ao lado, meus joelhos estão marcados pelas pequenas pedras que cobrem aquele canto do terreno, a ideia é construir um pequeno lago para abrigar um navio que eu acabara de construir,  com dobraduras em uma folha de papel retirada do centro de um caderno antigo, nele anotações de receitas com suas paginas amareladas pelo tempo, as pontas dobradas com ‘orelhas’, na pagina de rosto os dizeres: Caderno de Receitas, logo a baixo com grifos de caneta vermelha sob a tinta azul, Maria confeitaria.

Origami feito com toda a precisão passando pela fase em que poderia ter virado um chapéu, mas no dia anterior já  tinha brincado de soldado, com aquela espada feita com as ripas do estrado ou lastro da cama que quebrou sabe-se lá como.

Depois de aberto o buraco no solo levanto e pego uma lata de 20 litros e vou até o tanque onde encho até a metade e trago pingando pelo caminho para encher o meu lago, vou colocando a água que vai sendo absorvida pela terra até chegar o momento em o meu lago começa a aparecer…mas não se mantém por muito tempo então vou a busca de um pedaço de plástico para revestir o fundo, encontro um saco de adubo sob umas madeiras e puxando solto-o indo buscar aquela velha tesoura que serve para tudo, com ela já corta-se as unhas, papel, e quando chove esconde-se ela, é proibido de pegar pois “atrai” raios, pego a tesoura e corto um pedaço do saco, que ainda continua um pó branco em seu interior, viro a parte do pó para baixo e jogo novamente mais água e pronto estava perfeito, com umas pedras em volta o prendendo tenho o meu lago.

Agora pego meu barco de papel e coloco ali para boiar, ali o Brasil é descoberto, Camões passeia, o caminho das índias é redescoberto, mas chega um momento que escuto um grito: venha tomar banho….e o barco começa a se destruir.

Agora somos iguais estamos na mesma situação, estamos perdidos, as bússolas não marcam o Norte, e no segundo grito:

-sera que vou precisar ir te buscar com o chinelo ?

Chegando próximo a ela, o mar se agita como em tempestade placas tectônicas se movimentam e a grande onda e aos gritos de….

– Menino olha só a sua cor….olha sua bermuda nem fervendo vai sair essa terra dela…

Não tivemos mais notícias do barco.

-Com certeza naufragou no triângulo das Bermudas assim como eu se não tomar logo esse banho…

– Putz esqueci a tesoura…no lago.

 

 

 

 

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